13 de set. de 2007

Pelas Gerais...

“Eu sou do ouro, eu sou Minas Gerais”
O estado brasileiro com o maior número de municípios, além das cidades históricas, do Clube da Esquina, do Alto-Falante, do Porcas Borboletas, do Falcatrua e do Lu (esses vcs vão conhecer no decorrer dessa historinha) é também o primeiro estado do sudeste em que os porongas tocaram, ainda em 2006 no pequeno-grande bar A OBRA. Talvez por isso, gostemos tanto de tocar lá... contudo, até final de semana passado só conhecíamos a capital Belo Horizonte. Conhecíamos. Agora fomos a outra cidade, linda cidade... São João del Rey e outras incursões pelas Gerais nos aguardam, o que nos deixa muito contentes nessa vida estradeira.

Conexão
Fomos convidados para participar de um projeto chamado Conexão Telemig Celular. A empresa, financia projetos beneficiados pela Lei de Incentivo Estadual e realiza eventos com vários artistas de Minas Gerais e convidados do Brasil inteiro. Esta foi a sétima edição do Conexão.

Falcatrua falando alto
Quem nos convidou foram os Falca, para os íntimos. A banda Falcatrua(http://www.falcatrua.com.br/), que mistura rock, samba, circo, música pop e poesia de alto nível em seu pau de arara espacial tinha de convidar um artista para dividir o palco em três apresentações. São João del Rey (07/09), Uberlândia (05/10) e BH (ainda sem data). A dica para o encontro veio da cabecinha iluminada de um desses jornalistas musicais que não se contentam em escrever a história e acabam participando dela. Terence Machado, do Alto-Falante sugeriu os Porongas e os Falcatrua, que já haviam tocado junto conosco nos 9 anos de Alto-Falante ano passado toparam a idéia.
Na estrada
Depois de alguns cordiais e-mails e telefonemas depois para acertarmos desde as passagens até o formato da apresentação arrumamos as malas e partimos para São João. A saída de sampa foi demorada... imaginem toda São Paulo querendo fugir de si mesma para aproveitar o feriadão! Fazíamos parte dessa enorme boiada e apesar do engarrafamento que atrasou a viagem em cerca de duas horas, passamos oito horas na estrada (nada, é verdade, para quem já saiu do Acre de busão!).
Amanheceu
O cansaço da viagem foi amenizado pela beleza do amanhecer em Minas. O nascer do sol sobre os ipês roxos que se espalham pelos campos é indescritível e foi sob o efeito desses entorpecentes que chegamos à rodoviária da cidade e partimos para o Hotel Chafariz.



















Pão de queijo, requeijão e queijo qualho
Quando aportamos no hotel, os quartos ainda não estavam disponíveis mas o café já estava liberado. Oba! Será que tinha pão de queijo? Depois de satisfazer nossos desejos gastronômicos os quartos já haviam sido liberados. Os porongas estavam com sono mas eu, pra variar, queria entrar na internet. Sobem os músicos para tirar um cochilo e resta o canário no saguão do hotel dando aquela navegada com o velho amigo google, pedindo para que ele e o simpático funcionário do hotel explicassem mais sobre a cidade da qual tanto eu ouvira falar pelos livros de história.


















Ah, é claro que essa navegada tinha que ter trilha sonora... Longos Dias (http://www.myspace.com/falcanice), do Falcatrua, tocou incessantemente até eu descobrir que a cidade tinha cerca de oitenta mil habitantes, era de hábitos rurais e dona de um patrimônio histórico inigualável. Foi lá que nasceram Tancredo Neves, Bárbara Heliodora (foi massa estar onde nasceu a maternidade de Rio Branco, seria ela mesma?) e o próprio inconfidente-mor, Tiradentes, mas o município vizinho reclama que este último nasceu lá. O mais louco... várias construções da city foram erguidas no século 1700. Um banquete para os olhos nos aguardava.


Cochilo e passagem
Umas dez da matina, a van comandada pelo produtor-alegria Luciano, ou melhor, “luciano-não-porra-LU!” encosta no Chafariz e de dentro dela vão saindo mais uma leva de mineiros-gente-boa (acho que isso é uma espécie típica das Gerais). Os Falcatrua chegavam à cidade. Depois de um alô rápido, subi para tirar um cochilo até a hora da passagem de som, que seria dali a pouco.
Lá pelas 11, os Falcatrua foram primeiro e na “quência”, como dizem os cuiabanos, os porongas desceram para aguardar a van. O bom é que o Magrão tava com pouco sono então foi muuuuito fácil de convencê-lo a passar o som, rs.



Luuuu
Quando a van voltou pra nos buscar... quem é que nos saúda? LU, é claro! Fomos trocando idéia até o centro histórico onde o palco estava montado. O Lu é de São João, mas mora em BH e trabalha na noite há 18 anos. Produz o falcatrua há um ano e é uma figura, F-i-g-u-r-a! Que aliás, ninguém segura. O cara não pára, resolvendo tudo o que aparece pela frente. Quando chegamos nos deparamos com uma ótima estrutura de som montada num lugar maravilhoso. Enquanto os Falca passavam o som, deu pra “passar o pano” no lugar, sentir os paralelepípedos centenários sob os pés e conhecer o pessoal do Berimbrown, que também se apresentaria à noite.

Together
Passamos o som com Come Together, a música que faríamos juntos, com o André (voz) e Baiano (guitarra) do Falcatrua participando. Foi uma passagem rápida mas que já deu pra sentir como seria a vibe quando a noite caísse, o conexão começasse com outros artistas, e os Porongas, depois do Falcatrua, entrassem para fazer cinco músicas mais o songbeatle.
Come
Naquele clima de jogar conversa fora, que aliás, mineiros e acreanos adoram, chega o Lu com nossas credenciais e mandando todo mundo correr para a van. Hora do almoço no bom restaurante do hotel Chafariz que ficava em outro local, bem perto dali de onde estávamos.






Come (junto)
No almoço, aquela discussão da cena de sempre temperada por ótimas histórias, afinal, almoço com mineiro é almoço de causo. E eis que chegam, na boa hora, Terence e sua esposa, Carina, pra almoçar conosco. Depois das nececidades gastro... o superprodutor Lu anuncia as possibilidades: hotel para os cansados, piscina de água natural para os passeantes, agenda de entrevistas para o Falcatrua. Magrão e quase todos os Falca foram pro hotel tirar uma soneca. André foi cumprir a agenda de imprensa e o tranquilo baixista Danilo (que tb cozinha!) eu, Anzol, João, Terence, Carina e Fred, empresário dos Falca, fomos para um lugar que não era sexo, orégano e rock and roll mas era do caralho, como diria Wander Wildner.
Um velho calção de banho...
Anzol, desprovido do velho calção de banho quase fica sem passear, não fosse o Lu, claro, que emprestou uma bermuda que ainda combinava com a toca e a blusa do nosso estiloso batera. E lá fomos nós desfrutar aquela tarde mineira... só quem entrou na água foram os porongas, mas o Anzol saiu logo e enquanto os adultos conversavam, eu e o joão aproveitamos a piscina e os jatos de água mineral – a melhor hidromassagem da história. Me lembrei do tempo em que eu era moleque e saia com os dedos todos engilhados da água, sob os cuidados já impacientes do meu pai. Fazia tempo que não me divertia tanto...

Mineiros pescam no purus
Lá pelas cinco da tarde... o super Lu reapareceu para nos levar de volta ao hotel, acompanhado do André e do Alexandre, um cinegrafista-mineiro-gente-boa que registrava tudo e que já acompanha o Falcatrua há um tempo. O João pegou uma trilha e tirou fotos lindas.

Enquanto esperávamos ele voltar deu pra conversar com um senhor que pegava água na fonte e ele nos explicou que a água daquele lugar era milagrosa. O senhor era um pescador que já tinha ido ao Acre quando mais jovem. Segundo ele, o maior peixe que já pegou foi no Purus, em terras acreanas. Sou eu que vou duvidar?







Fala toca janta fala
De volta ao hotel... um papo de bons longos-curtos minutos com André. O vocalista do Falcatrua é desses front man mais sensíveis que aparecidos, dotado de uma percepção muito particular. Todas as tralhas arrumadas, roupas e acessórios na mochila e vamos para o jantar. E que jantar! O lugar era aconchegante, além da comida refinada ainda tinha um piano... prato cheio para os beatlemaníacos de plantão que alegraram os demais com notas de liverpool.

O jantar foi ainda melhor porque além da trupe porongas-falcatrua-alto-falante, juntaram-se a nós Pablo Capilé, Marielle e Lenissa Lenza...




Ação...

e resultado!

Papo ao cubo em alto-falante
O cubo-man-maior e as cubo-girls estavam em São João para participar do circuito de oficinas que também faziam parte da programação do Conexão. Como sempre muita sintonia na degustação coletiva de idéias, sonhos e ideais. A mesa gigante teve espaço para discutir da falência do mercado fonográfico aos pousos e decolagens do Flyth Simulator. Magrão, que já havia pedido um delicioso Chardonay, degustado por quase todos, encontrou no Carioca, batera dos Falca, e no Igor, roadie dos mineiros, dois animados interlocutores para as experiências de pousos e manobras virtuais de boeings e aeronaves outras.
Horários e distrações
E quem é que chega? Lu! É, óbvio! - 10 MINUTOS todo mundo na van pra zarpar para o local do show!!! E todos numa obediência religiosa, voluntária e sorridente se distribuíram em devidos seus lugares e seguiram para o centro histórico, para a igreja, para o palco, para o show. Todos menos o João, que ficou pirando no piano baixinho, como quem resolve um problema matemático, numa de suas novas composições. Quer dizer, nem todos tinham ido porque o Terence fotografava o João e eu fotografava o Terence e prestava atenção na explicação do João sobre a idéia nova. Ê, delícia!
Soulll
Lá chegando nos deparamos com um público que tomava a rua de paralelepídedos assistindo a apresentação dos primeiros artistas da noite.


Curtimos um pouco dos shows e deu pra entrar na dança quando o Berimbrown subiu ao palco. Por pouco tempo, é verdade, até o Lu, claro, quem mais? Chegar e sair catando todos os Falcatrua e Los Porongas para se reunirem no camarim.

Nas coxas
Antes disso, ainda deu tempo de me afastar do som e da muvuca com o André e passarmos a música que faríamos juntos, literalemente “nas coxas”, já que márcavamos o tempo batendo na perna. Os dois ali, sentados no meio fio cantarolando Come Together. Dois canários desprovidos de seus escudeiros harmônicos, os guitarristas, sempre mais que necessários, mas se virando bem...

Rituais
Antes do Falcatrua subir, fizemos a reunião da “merda” coletiva, atrás do palco e trocamos os cumprimentos. De mãos dadas, levantamos os pés direitos até uma altura média enquanto nos olhávamos nos olhos e depois pisamos com força o chão, para entrar com o pé direito. É um bonito ritual o dos caras. Nessas horas a gente se sente como os índios que trocam presentes e rituais quando em terra alheia. Os Porongas costumam se abraçar e ouvir do porta-voz-da- hora- merda, João Eduardo, o velha palavra de guerra “vamo destruir!” E assim foi feito... ali, começava de fato uma parceria que ainda vai render muitos frutos, intuo.

Bonito pau de arara
O Falcatrua entrou tarde, pouco mais de meia noite, pois o evento atrasou. O show foi intenso e ao final os caras viram uma platéia gritando o nome da banda. Bonito de ver como eles são respeitados em seu lugar... a imagem que veio à cabeça, sem dúvida, foi a do público do Acre depois dos shows.

Quem viu, viu
Nos anunciaram e para uma platéia já reduzida por conta da hora, mas muito atenta e qualificada nos apresentamos com Lego, Suspeito, Tudo ao Contrário, Espelho de Narciso e Não Há, ops, Não Há, não! O coordenador de palco disse que só poderíamos fazer mais uma... então... que fosse o nosso número coletivo!!!


Baiano e André se aprochegaram e Come Together rolou bonita como tinha de ser, afinal estávamos em Minas Gerais, terra do Clube da Esquina, a turma brasileira que conseguiu reler os Beatles de forma mais brasileira, doce e inventiva na história da nossa música.

A performance no finalzinhoda música e as positive vibrations que rolaram podem ser conferidas aqui, por Terence Machado: http://vids.myspace.com/index.cfm?fuseaction=vids.individual&videoID=17783557

A luz
Depois do show, foi massa ver a alegria no rosto das pessoas que ficaram para assistir aos shows e conversar com elas, bem como cutir o clima entre os músicos e a equipe toda. De volta ao hotel, uns foram dormir e enquanto uns dormem outros caem na balada. Eu, João, Igor(roadie Falcatrua), Alexandre, Diogo (xará assistente do Alexandre) e Lu, claaaaro, fomos a uma boate e essa é uma longa história que terminou com todos, menos o Lu, que foi embora antes, voltando a pé da boate, num dos amanhceres mais produtivos da vida, se levarmos em consideração o trajeto, as idéias, a paisagem e sim, a luz, a luz, a luz.

Exploradores

No dia seguinte João, entregue em plenitude aos braços de morfeu, ficou no hotel enquanto eu, Márcio e Anzol saímos para almoçar.


Foi quando aproveitamos para fazer aquele turismo e perceber o quanto aquela cidade de gente tão atenciosa é realmente especial.

A boa tarde
Nas andanças pela cidade procurando o pessoal topamos a Carina, que esperava o Terence sair da oficina para irem embora junto com os Falcatrua para BH. Encontramos também o Danilo baixista, com quem conversamos numa psicodélica pracinha até voltarmo ao bar onde estava com a esposa do Terence. Logo chegaram... advinha quem??? O Lú, vocês tinham alguma dúvida? Com Carioca, André, que também havima ministrado oficinas, com os outros da trupe já se armando para partir rumo a Belo Horizonte. Ainda deu tempo de rolar uma sessão de piadas inspiradas do Carioca e do Magrão. É, os caras têm mais em comum que os vôos virtuais.

Despedida
Pegamos uma carona com eles até a rodoviária e nos despedimos, com direito a uma despedida especial do Lu para o João, que tinha ficado no hotel.
Doce Tiradentes
Na “quência” arriscamos ir para Tiradentes, cidade ao lado... na hora do por-do-sol. O Mp3 do João com a versão da Elis para Maria, Maria do Miltom Nascimento só se compara ao pássaro branco que acompanhou o busão voando em paralelo durante boa parte da vaigem.

Quando chegamos já era noite, mas apesar de não aproveitarmos o turismo ofical, a não ser pela da igreja que visitamos, deu pra aproveitar bem os doces maravilhosos que a peqeuna cidade romântica, a menos de 40 minutos de São João tinha.O Anzol que o diga!







Back to Sampa
De volta a São João, taxi até o Chafariz, check-out, rodoviária, busão... aquela sensação de missão cumprida. E a felicidade de saber que só com o Falcatrua isso vai se repetir mais duas vezes. Enquanto as luzes de sódio dos postes da cidade ficavam cada vez mais distantes, eu tentava esquecer do DVD do César Mennoti e Fabiano que o motorista tinha colocado pra rodar e me entregar aquela plenitude que, imagino, preenche o íntimo das pessoas que se sentem felizes em fazer o que fazem. Sim, se é pra sentir aquilo que seja sempre.




13/09/2007
diogo soares
fotos por diogo, joão e terence











26 de jul. de 2007

Porongas em São Paulo





Demorou muito, mas muito mesmo... Quem ler as publicações antigas com as de agora notará um imenso intervalo de tempo, que encerra-se hoje, com os Porongas munidos de internet 24 horas em casa, e quem sabe tentando voltar a atualizar as notícias da banda.


Em resumo, muita coisa boa e musical já rolou nesses quase quatro meses de paulicéia. E o resultado mais legal disso tudo tem sido conhecer muita gente interessante. De começo, tivemos a honra de dividir o palco e dois dias legais com Dado Villa- Lobos, que te desmonta de cara grande parte dos mitos relacionados às "personalidades", tamanha simplicidade e simpatia. Conhecemos a Fernanda, amiga de faculdade da Carol Freitas, que nos fez sentir em casa nas baladas do seu apê na Vila Madalena, sob as horas e horas jogando "Império", cria do sensacional Daniel e os belos acordes de Joana à Francesa, dedilhados pelo Andres. O Diogo começou a fazer aula de canto, e nos apresentou o Eric, seu professor. Figura incrível, de uma musicalidade intensa, que sempre tem acompanhado os shows da banda. Conhecemos também a tão esperada figura do Kook, punk precusor do punk no acre, sempre lendado pelo Jorge Anzol e suas histórias. As meigas anfitriãs cariocas, Luisa, Íris e Luciana. Isso sem contar a galera que está produzindo e emitindo música aqui em sampa, como Ludovic, Quarto das Cinzas, Maccacos, Astronautas, a turma do Escárnio e Osso, do Itaú Cultural, da Inker Squat e por aí vai...

Prá não nos estendermos muito, aí vai a postagem de um pequeno mural fotográfico, na tentativa de resumir em imagens um pouco do muito do que estamos vivendo por aqui, como os shows na Outs, Clube Belfiori, Cidadão do Mundo, em Cuiabá, a volta a Rio Branco, Itau Cultural, entre outros!! Saudações acreanas e musicais a todos!!


Los Porongas


Show Outs - SP



Show Clube Belfiori - SP

Brasília

Brasília



Kaiapy nos deixando a vontade em Cuiabá


Show CCBB - SP



Itaú Cultural - SP

Itaú Cultural - SP


Madrugada em casa - São Paulo


Rio de Janeiro


Rio de Janeiro


Rio de Janeiro - Show Praça das Medalhas - PAN 2007





























































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14 de jun. de 2006

Dias de estrada - Parte 3


Aí pessoal, demorou, mas aí vai a continuação do diário de bordo da “minitour porongas”
- Seguindo a última postagem do Diogo, fomos para o local do Show em Goiânia.


20/05 - Festival Bananada, Centro Cultural Martim Cererê
Goiânia / GO

O local é um sonho para qualquer realizador de um evento desses. Duas caixas d´água gigantes, que tornaram-se espaço para shows. Um som poderoso nos dois palcos, excelente equipe de sonorização, roadies mais do que prestativos, técnicos de som dispostos a trabalhar. A mistura de todos esses ingredientes facilitou e muito a missão de mandar um som em Goiânia. Confesso que senti um pouco de receio quanto à receptividade do público goiano, sentimento esse que sucumbiu aos primeiros acordes de Tudo ao Contrário, despertando a atenção da galera presente. Depois da introdução, deixei de lado os pensamentos fiz aquilo que já estávamos nos acostumando à fazer: conectar-se e mandar ver no som.. Ver aquele monte de braços levantados batendo palmas em Ao Cruzeiro foi satisfatório demais. E ponto!
Ah, a galera do Acre, como sempre, presente, com camisas e tudo!! Como constata o Diogo: “tem acreano em todo o lugar!”.

Show no Bananada

Encontramo-nos novamente com Terence Machado, do Alto-Falante, mais um grande mineiro gente boa, entre todos aqueles já citados no post anterior do Diogo. Conversamos bastante, todos na banda sempre comentam o quanto é agradável poder trocar uma idéia com o cara!
Fim de evento, tantas da madrugada, é hora de voltar para o hotel e tirar aquelas poucas horas de sono, para embarcarmos para o Rio – dessa vez sem atraso!!


Segunda, 22/05
Rio de Janeiro – chuva e frio

Após as longas 17 horas de estrada, longos minutos fizeram-se presentes na caótica e entrada da capital carioca. Favela, morro e mais favela / num tom cinza que revela / o quanto é distante e bela / a beleza pouca de metros praianos. Mesmo assim é uma beleza que vale muito a pena conhecer, embora o clima chuvoso e frio que pairava sobre a cidade.
Casos cômicos e surreais:
- o carregador da rodoviária que só transportou as bagagens até o táxi (cobrando R$ 2,00 por cada volume) e não as carregou no veículo: “mermão, eu não carriégo, só transchporto!”;
- o taxista, ao ser abordado pelo Diogo para desligar o som do carro, que emitia as palavras altas de um irritante bate-papo sobre a situação da segurança dos condomínios cariocas: “iiiihhhh, óucara aí... ta de mal com a vida é?”
- do português meio surdo que não conseguia explicar que só havia um quarto disponível no Hotel Marajó.
... entre outros.....


Fabiano e Cíntia
Ainda na segunda, recebemos a visita do Fabiano, nobre amigo acreano, que vive no Rio, companheiro de bandas das antigas, ex-aluno do Anzol, enfim, o cara é de casa...
O Fabiano toca em duas bandas por lá, além de estudar música. Ele e sua grande amiga, Cíntia, acreana de coração sem conhecer o Acre, foram os nossos grandes cicerones nas terras cariocas. Companhia muito agradável.
Fabiano e Cíntia, levaram-nos ao Sahara, um centro comercial muito antigo, que vende de tudo. Fizemos festas na loja dos óculos escuros por atacado. E a chuva só aumentava.
Na terça-feira, fomos nos apresentar no programa Atitude.com, da TVE/RJ, a convite do figuraça Pedro Paulo, é diretor do programa e assistiu ao nosso show no MADA. Conhecemos o seu apresentador, Léo Almeida, outro figura, que domina muito bem a condução de um programa ao vivo, que naquele dia tinha como tema a prática do jabá. Mandamos Lego de Palavra e Nada Além, uma rápida entrevista e “falou, galera!”.
*Fabiano e Cíntia estavam por lá, registrando tudo...


Ao vivo no Atitude.com - TVE/RJ

O Show no Odisséia
Após a TVE, deixamos as tranqueiras no Teatro Odisséia, onde tocaríamos mais tarde na Festa Laboratório Pop. Apesar da chuva forte e persistente, cerca de 300 pessoas foram ao local para assistir as bandas. A festa ia contar ainda com as bandas MopTop, Ímpar (nossos já amigos mineiros), Filhos de Judith, Biquini Cavadão, O Sete e Tantra.
Durante o nosso show, mais uma vez a galera do acre presente, com direito à famosa bandeira. Deixamos nosso recado. A recepção foi boa, foi um show em que nos sentimos bem à vontade, tinha um puta som, e uma excelente equipe de palco.

Festa Laboratório Pop - Teatro Odisséia /RJ


Após o show tivemos a honra de conhecer o Bruno Gouvêa, vocalista do Biquíni, que disse ter curtido muito a banda. Tem até um post muito massa em sua coluna, no site Laboratório Pop:

http://laboratoriopop.uol.com.br/pagina.php?abrir=texto_colunista.php&idcolunista=32. Lá também estava Mário Marques, editor-chefe da Lab-Pop e uma grande figura da cena rock carioca e brasileira, responsável pelo convite para tocarmos no Rio.




Quarta – 24/05
Brasília - A Pensão Seabra
Na quarta, embarcamos de avião para Brasília. Após experimentarmos, mesmo que por um pouco as experiências das viagens, iríamos agora para a nossa missão fonográfica.
Após uma tensa arremetida, por erro da torre de comando, pousamos (com segurança) em solo brasiliense e nos dirigimos para o apê do Fernando Rosa (Senhor F). Pausa para o já mencionado café metropolitano, fomos para a casa do plebe rude Philippe Seabra, sede do Estúdio Daybreak, para inaugurarmos a “Pensão Seabra”.
Pausa para explicação técnica: “A Pensão Seabra surgiu diante da impossibilidade do deslocamento diário de log6[f(x)4¹³²¼ 103 sul (hotel), para log8[2y+2x] norte(casa do Philippe)” Enfim, ao invés de dependermos das salgadas bandeiradas de táxi do distrito federal, ficaríamos na casa do cara mesmo. Pensando nisso, Fernando e Philippe e família providenciaram dois beliches, roupas de cama, a suíte de hóspedes da casa, e reduzimos nossa distância do estúdio a alguns passos. Grande idéia! A pensão Seabra ainda vai hospedar muita banda por aí!! A Pensão Seabra foi oficialmente batizada de "Daybreak Hotel".
*Fomos muito bem recebidos pela mãe do Philippe, Dona Silvia (um amor de pessoa) e por sua namorada-esposa Fernanda.



As gravinas
Como já foi descrito em posts anteriores, já havíamos conhecido o Philippe na ida para o Mada, em Natal. Ele já havia nos ouvido ao vivo e dado uns pequenos toques sobre algumas músicas. Na quinta-feira, demos início às gravinas. “Levantamos” o som da bateria e o Anzol começou a desferir suas baquetadas no estúdio. De cara, o som da bateria veio lindo, pesado, com uma puta acústica! Isso empolga qualquer músico ávido por registrar aquilo em que está acostumado ao ouvir ao vivo.


Anzol gravando as bateras


Sem contar que contávamos com um grande diferencial daquilo que tínhamos como experiência de estúdio: a produção. E isso o Philippe demonstrou dominar muito, com seu excelente ouvido e suas válidas orientações.
As bateras foram gravadas em um dia e meio, e as linhas de baixo também.


Gravando os graves...

...ouvindo os graves gravados


Guitarras...




Arsenal Sonoro



Sala de controle do Daybreak


Orientações..

Na sexta, 26, fizemos o último show da minitour, na “Noite Senhor F” do Gate´s Pub.Um local agradável, com um som audível, embora um pouco sem peso, mas compensado pela forte energia do lugar. Dividimos o palco com a dupla “pirulitesca” do Lucy & de Popsonics e os “psychobillyanos” Sapatos Bicolores. Detalhe: na confecção do flyer dos shows, devido a nossa volta do Rio, fomos destacados como banda carioca..! Tranquilo..
Pudemos novamente encontrar acreanos, entre eles o jornalista Pitter Lucena, que divulgou a torto e direito nosso show em BSB, Mariana, irmã da eterna “caricata” Carol Freitas, o “nóis
e nóis” Hugo Gallo, entre outros.

Show no Gate´s Pub - Brasília/DF
Em seguida, demos início às guitarras, o que custou um pouco mais, para encontrarmos os timbres ideais. Na semana seguinte, o Diogo voltou para Rio Branco, para cumprir com suas obrigações trabalhistas. Continuamos o processo de gravação, aprendendo sempre mais, com o Philippe no comando.
Na sexta-feira seguinte 02/06, rolou um show do Biquíni no Café Cancun, uma casa de shows Brasília. Recebemos o convite pessoal do Bruno para assistirmos ao show, e fomos até o hotel bater um papo com ele. Anzol e Magrão assistiram ao show e eu fui com o Dideus, outro nobre amigo acreano, a uma festa black/soul num pub chamado Landscape. Me senti no bar da Malú... Tinha hora que até parecia que eu conhecia alguém dali...
Sabadão, o Diogo retornou para gravar os vocais, e passamos o fim de semana fazendo o social no Porão do Rock, além do churrasco de confraternização Senhor F, que rolou na casa do Philippe.

Churrasco Senhor F

Diogo e Mário Marques (Lab Pop)

1ª "audição pública" das gravações

Conhecemos a galera das outras bandas do selo, Volver e Superguidis, duas grandes revelações dessa nova cena. Junto com o Fernando Rosa, fomos ao porão conhecer gente nova, assistir ao show da Volver (um dos melhores do festival) e fazer contatos, muitos contatos. Deles, surgiu a possibilidade de uma nova tour, dessa vez a minitour Senhor F, em agosto, e que ainda está em fase de articulação.,
Rolou também um show da Superguidis na Expotchê, na última sexta que ficamos por lá. Que bandassa vivo! Um som sólido, guitarras muito bem trabalhadas, belas melodias, vocalista com presença de palco e imagens poéticas mil...


A volta e a grata surpresa
A volta foi gradativa, Anzol voltou no começo da semana, Magrão na quarta, eu e Diogo no último sábado 10/06, onde, ao acordarmos de manhã, nos deparamos com o recorte de uma matéria de capa imensa no Jornal do Brasil, que o Mário Marques havia conseguido. Uma vizinha do Philippe havia deixado o recorte lá. Tentei fazer um “rapa” das edições do JB no aeroporto de Brasília, mas só haviam duas, esgotadas automaticamente no ato...rs
Quem quiser conferir a matéria é só clicar na imagem abaixo (lá, clicar em "Edições Anteriores" - 10/06 - "Caderno B" ):


Enfim, esses 22 dias de música intensamente vivida demonstraram o poder que a arte exerce sobre a vida, independente de onde ela esteja sendo feita. Mesmo com algusn momentos difíceis, levamos a música do Acre para outras capitais, confiamos nas mãos de outras pessoas para o mais sincero registro, e obtemos um grande aprendizado de vida!!


abraço,

João Eduardo













20 de mai. de 2006

Dias de estrada - Parte 2

Goiânia, Goiás.

São 17:42 e a Lan house quase ao lado do hotel não podia estar melhor localizada para que mais novidades venham à tona, afinal se todos pensam que nossa aventura mineira terminou com os sorrisos da Obra, posso dizer que na hora em que eu terminei de escrever o "relatório", no saguão do hotel em BH, é que ela estava realmente começando. Fico lembrando das biografias das bandas e das várias histórias toscas que já rolaram. Ontem aconteceu com a gente! Depois de escrever o diário que vcs já leram, James e Thiago foram conosco comer alguma coisa no shopping fantasma próximo ao hotel. Era relativamente cedo e dava para comer com tranqüilidade. Ainda deu tempo de passar no Hard Rock Café e conferir de perto o puta sistema de som, que um mês antes eu e o João tínhamos visto numa matéria da Áudio, Música & Tecnologia. Passagem rápida. Subimos mais um piso e lá estava a pastelaria da praça de alimentação fantasma, único estabelecimento aberto para se fazer uma boquinha. Desde a chegada o Magrão já havia nos alertado quanto ao horário, que tínhamos de chegar cedo na rodoviária, etc. Pastel vai, pastel vem, política, música, pop, rock, festivais, zeca baleiro, lenine e afins e a hora passou. Segundo o João, o cara que vendeu as passagens em Rio Branco tinha afirmado que o busão sairia às 8:30. Todos tranqüilos retornamos ao hotel apertando o passo, já que os ponteiros marcavam 7:30. Carregamos as coisas nos carros dos Alto-Falantes boys e partimos rumo à rodoviária. James comigo, Magrão e Anzol e o João com o Thiago no outro carro. O clima já era de despedida, aquela hora em que rola a avaliação do quanto tinha sido importante tocar na Obra, ter gravado pro programa, enfim... era hora do velho momento "valeu, mesmo!".

Todavia, nem imaginávamos que uma grande aventura tosca estava prestes a começar. Eu e o João fomos ao box da Real Expresso para preencher as passagens. Até aí tudo bem. Tudo como manda o figurino de uma banda que tem tudo na ponta do lápis. É... só que nós não temos tudo na ponta do lápis e foi quando o tiozinho da empresa pegou os bilhetes e perguntou: "cêis vão amanhã a noite?". – Não, vamos no busão das 8:30 – Respondeu o João, com uma leve demonstração de horror na voz. – Mas esse caro já saiu, aliás acabou de sair. – Disse o funcionário. – Fudeu! – Dissemos em coro, quando o horror já tinha nos dominado por inteiro. Mas com nessas horas sempre aparece alguém com uma "boa" idéia, o tiozinho disse que era só a gente correr pro carro que dava tempo de atalhar o busão no meio da estrada, já que ele ia parar em Betim, outro município que fica na região metropolitana de BH. O detalhe: segundo informações da agência em Rio Branco, só essa empresa fazia a linha BH-GO e que o próximo busão só sairia na próxima noite, na hora do que deveria ser nosso show em Goiânia. Ou seja, trocando em miúdos, corríamos o risco de não ter como chegar a tempo do show.

Numa cena típica de filme lado b, eu e o João saímos correndo pela rodoviária até o estacionamento com o coração na boca. Foi foda! Todo mundo enfiou as coisas dentro dos carros de novo e partiu rumo a... aonde mesmo? Na correria a gente esqueceu onde é que o ônibus ia parar. Voltei lá e perguntei. Os caras estavam ligando pro motorista para ele ir devagar. Foi quando o tiozinho me disse que o busão ia parar na antiga barreira, em Betim. Aí começou a odisséia. Corta daqui, pega a via expressa, passa o viaduto e segue pra Betim. Isso parecia fácil. O problema é que o coração tava na mão e os pés do James e do Thiago lá em baixo. O clima de "valeu, foi massa!" deu lugar ao "Meu deus, será que a gente vai achar a porra do ônibus?". E assim se passaram 50 minutos, uma dúzia de caminhos estranhos, o turismo rápido por Betim, cidade que vive em função da fábrica da FIAT, ultrapassagens alucinadas, buracos malditos, e a tensão de saber que poderíamos perder o show em Goiânia. No final das contas só achamos, com certeza, a maldita "antiga barreira" na volta (aliás ninguém sabia onde ficava, até os policiais!). Então começaram os preparativos para o clima "como é que vamos fazer agora?". Voltamos para a rodoviária e mais uma vez os deuses do rock abençoaram a história. Tinha uma empresa com um ônibus que ia pra Caldas Novas, perto de Goiânia. Só deu tempo de comprar as passagens e embarcar no ônibus. Nem acreditávamos que estávamos indo para Goiânia. Aliás, ninguém acreditava. O Thiago nem sabia se tava vivo depois de quase ser triturado por um caminhão, junto com o joão, quando pararam para pedir informação, lá na nossa cidade do coração, Betim. Êta, nóis! Já no clima "deu tudo certo, mas temos que nos ligar mais e confirmar sempre os horários das passagens" nos despedimos dos nossos companheiros de rali urbano. Durante a correria deu para saber que se o James não fosse artista gráfico, jornalista, assessor de imprensa, produtor e os caramba ele podia se arriscar em alguma das fórmulas. A mesma coisa o Thiago. O que foi mais bacana em tudo isso era saber que os seis personagens desse episódio surreal estavam passando por aquela situação por causa música. Isso é lindo, mas se tivéssemos confirmado o horário nada disso teria acontecido. Vivendo e aprendendo.

Apesar da estrada ruim e do frio, chegamos bem à Caldas Novas. Demos sorte e embarcamos no busão da Viação Paraúma, rumo à Seattle tupiniquim, Goiânia. Só pra magoar o coração dos quatro, ainda rolou um bloqueio da estrada, por agricultores em protesto. Uma fila imensa se estendia e, não sei porque motivo, nos deixaram passar. Seriam os deuses do rock atuando naquele cenário típico de Dois Filhos de Francisco?

Tudo certo, então. Chegamos em Goiânia e já encontramos uma galera na rodoviária. Entre eles, uma lenda viva do metal brasileiro, Carlos Vândalo... daí foi entrar na Van, falar sobre o samba do Evo Moralles, das idiotices do Minardi (como isso tá repercutindo), do Acre, da música... um almoço com os caras, onde o Magrão revelou sue passado metaleiro (ele tinha até os discos da banda do Carlão!). Mais um desses momentos bacanas, onde se conversa de tudo.

Depois do almoço, rumo ao ótimo hotel que a organização do Bananada reservou para as bandas. As primeiras impressões sobre a produção foram boas. Os caras são bem atenciosos com todo mundo. Daqui a pouco, vamos para o Centro Cultural Martim Cererê, onde rolam os shows. Deixa eu ir, senão a gente se atrasa. E de atraso já basta o aperreio em BH. Ah, o show de hoje vai ser dedicado aos alto-falante boys, em homenagem à enrascada que os caras se meteram por conta do falso horário das passagens. Saudações amazônicas!

19 de mai. de 2006

Dias de estrada

A mini tour dos porongas começou na madrugada de quarta para quinta, quando embarcamos rumo a Belo Horizonte. No vôo encontramos o Presidente da FEM, Assis Pereira, que ia participar de um Forum no interior do Mato Grosso. Ele e outras pessoas, inclusive o pessoal da Gol, nos desejaram boa sorte na empreitada. O matador vôo da Gol, que sai às 2h da madruga, estava vazio e deu para descansar até a conexão em Brasília. Da capital, tudo no horário, seguimos para a capital do brasileiro rock progressivo do Clube da Esquina, do trash metal do sepultura e do pop seminal do Skank, Jota quest, Pato Fu. BH, uma metrópole com mais 3 milhões de habitantes nos recebeu com um pouco de frio esquecido com o sorriso estampado no rosto do James, da produção do Alto-Falante, que nos esperava no aeroporto. A atenção e o carinho do James, que também se chama Rodrigo, se estenderia a todos os outros personagens mineiros que apareceriam nessa história. Coisa boa que fez com que esquecêssemos o duro pouso do avião no aeroporto de Confins.

Do aero, atravessamos a cidade em mais de 50 minutos, com direito à explicação do nosso cicerone e guia turístico James. Depois de cruzar BH, chegamos a uma das partes mais altas da cidade, onde fica o hotel Piemonte (que hotel), uma gracinha que faz toda a diferença para uma banda que tá na estrada. O hotel e alimentação foram bancados pela Rede Minas, parceira no projeto Noite alto Falante, que acontece na Obra, onde tocaríamos mais tarde. Depois de deixar as coisas no hotel, o prestativo James (não dá pra não elogiar, porque a atenção dos caras comprova a máxima de que "mineiro é tudo gente boa!") nos passou o relaxado roteiro: fomos a um shopping, onde fica a Oi FM, gravar uma participação para o Programa Frente, do Henrique Portugal, tecladista do Skank. Depois de falar sobre o Acre, a cena, a música e assuntos interligados, fomos experimentar um pouco da culinária mineira: MCdonalds(!). Isso é de fato um fetiche tosco, mas fomos lá. Na verdade a comida mineira só viria na janta (também paga pela rede Minas), num restaurante tradicional da cidade. No Mac, encontramos outra figuraça, que havíamos conhecido no MADA, em Natal, o Thiago, também da produção do Alto-Falante. É muito bacana poder encontrar pessoas que compartilham das idéias sobre o mundo da música independente e o Thiago é um desses caras com consciência e "visão panorâmica". Pra variar, muito papo.

Em seguida fomos gravar o quadro "Garimpo", do Alto-Falante, no espaço cult da cidade, o Café com Letras. Sabe aquele espaço Los Hermanos, que só falta um letreiro dizendo "dedicado especialmente aos estudantes da área de humanas que querem discutir semiótica"? Pois o lugar era esse e fomos lá falar um pouco sobre o tal rock amazônico(!) dos Porongas além, é claro, de fazer as imitações do Terence, da Zélia Duncan, do Dinho Ouro Preto... A produção tinha reservado até a hora da soneca. Voltamos ao hotel e descansamos até às oito e meia, quando fomos passar o som. A Obra é um legítimo pub, literalmente underground (você desce uma escada e o espaço fica no sub-solo). Aquele lugar tem uma bonita história, mesmo sem citar os nomes que já passaram por aquele palco, pode-se afirmar que, sem sombra de dúvidas, A Obra, é dos poucos espaços que conheci, onde o que fala mais alto não é o faturamento da bilheteria, mas a música que é emitida do tímido e suficiente sistema de som. A Obra é o maior palco da cena independente mineira e, quiça do Brasil, muito pelo idealismo e coração impregado no lugar pelo seu mentor maior, o Claudão. Na pasagem, duas coisas massa de cara: um técnico atencioso, o Gil, e "Os quatro Caras", banda pop mineira bem resolvida que, pra variar, tem quatro caras muito gente boa (é a velha máxima).

Enquanto rolava a tradicional conversa paralela (guitarrista - guitarrista, baixista-baixista, batera-batera) eu conversava com o vocalista e sua namorada, que conhecia muita gente de Rio Branco e era muito amiga do Ricardo Bartholo. Há uma teoria de que BH é um ovo. Nos disseram isso várias vezes. Como no Acre a gente também tem a mesma teoria, percebi que o Brasil é um ovo e que todo mundo se encontra nessa estrada doida. Depois da passagem, era hora de desfrutar o jantar redeminiano na companhia do inseparável James, ou Rodrigo, como preferirem. Ao sabor dos tutus, costelinhas e congêneres, muita discussão sobre música mineira. Do clube da Esquina ao Jota quest, passando pela cena independente, foi uma aprendizado do caralho.

O cara tá escreendo um livro sobre o clube da Esquina e descobrimos, durante o papo, quando o Thiago também já tinha chegado ao restaurante, que o Rodrigo era o cara que tinha escrito uma das matérias que mais tinha nos inspirado depois do começo da banda. A matéria falava sobre os dez anos do skank, quando os caras lançaram o cosmotrom, e foi publicada na Zero. Ainda lembro de quando cheguei na casa do João e ele me disse, há mais de um ano: "olha aquela revista ali, tem uma puta matéria sobre o skank". Tinha ficado impressionado com o texto, a abordagem e o conteúdo da matéria. Muito inspiradora também pela própria trajetória do Skank. Era massa poder estar jantando com o cara e dizer pra ele que o seu trabalho tinha nos inspirado. Isso prova que quando a obra é boa, seja música, jornalismo, produção, ela fica, e como fica.

Depois da janta, era hora da batalha. A Obra não ficou lotada nem ficou vazia. O lugar que comporta umas 200 pessoas, devia ter umas oitenta. Todos atentos para o pop competente dos quatro caras, que abriram a noite com um belo sotaque mineiro. Com o clima mais quente, era nossa vez de subir ao palco. O fato de sermos uma banda do Acre gerou, pelo menos, uma curiosidade na galera. Alguns desconfiavam. Teve uma garota que chegou na portaria e perguntou ao segunrança: "Uma banda do Acre? Que som eles fazem?" diante da explicação esforçada do segurança, a moça fez cara de "eu, heim" e preferiu ir embora. É massa ver a reação das pessoas. Será que quando tocássemos a reação também seria essa? Estávamos tranquilos. Quando Claudão nos anunciou, o público se aproximou mais e esperou que começássemos. Fomos tocando nossas músicas, uma a uma. Nada de luzes, máquina de fumaça, microfonação da bateria. Éramos nós e a galera, frente a frente, num diálogo que foi se tornando mais interessante a cada final de canção. Minas sorriu pra gente nessa noite. Rolou até a versão de come together, única que foi balbuciada pelos presentes. A debandada, possível, não aconteceu, e nos despedimos da primeira cidade do sudeste em que tocamos, com um sorriso do tamanho do que ela nos deu, na face do James, quando descemos do avião. Agora é Goiânia, bananada. Até mais. As saudações de sempre!