14 de jun. de 2006

Dias de estrada - Parte 3


Aí pessoal, demorou, mas aí vai a continuação do diário de bordo da “minitour porongas”
- Seguindo a última postagem do Diogo, fomos para o local do Show em Goiânia.


20/05 - Festival Bananada, Centro Cultural Martim Cererê
Goiânia / GO

O local é um sonho para qualquer realizador de um evento desses. Duas caixas d´água gigantes, que tornaram-se espaço para shows. Um som poderoso nos dois palcos, excelente equipe de sonorização, roadies mais do que prestativos, técnicos de som dispostos a trabalhar. A mistura de todos esses ingredientes facilitou e muito a missão de mandar um som em Goiânia. Confesso que senti um pouco de receio quanto à receptividade do público goiano, sentimento esse que sucumbiu aos primeiros acordes de Tudo ao Contrário, despertando a atenção da galera presente. Depois da introdução, deixei de lado os pensamentos fiz aquilo que já estávamos nos acostumando à fazer: conectar-se e mandar ver no som.. Ver aquele monte de braços levantados batendo palmas em Ao Cruzeiro foi satisfatório demais. E ponto!
Ah, a galera do Acre, como sempre, presente, com camisas e tudo!! Como constata o Diogo: “tem acreano em todo o lugar!”.

Show no Bananada

Encontramo-nos novamente com Terence Machado, do Alto-Falante, mais um grande mineiro gente boa, entre todos aqueles já citados no post anterior do Diogo. Conversamos bastante, todos na banda sempre comentam o quanto é agradável poder trocar uma idéia com o cara!
Fim de evento, tantas da madrugada, é hora de voltar para o hotel e tirar aquelas poucas horas de sono, para embarcarmos para o Rio – dessa vez sem atraso!!


Segunda, 22/05
Rio de Janeiro – chuva e frio

Após as longas 17 horas de estrada, longos minutos fizeram-se presentes na caótica e entrada da capital carioca. Favela, morro e mais favela / num tom cinza que revela / o quanto é distante e bela / a beleza pouca de metros praianos. Mesmo assim é uma beleza que vale muito a pena conhecer, embora o clima chuvoso e frio que pairava sobre a cidade.
Casos cômicos e surreais:
- o carregador da rodoviária que só transportou as bagagens até o táxi (cobrando R$ 2,00 por cada volume) e não as carregou no veículo: “mermão, eu não carriégo, só transchporto!”;
- o taxista, ao ser abordado pelo Diogo para desligar o som do carro, que emitia as palavras altas de um irritante bate-papo sobre a situação da segurança dos condomínios cariocas: “iiiihhhh, óucara aí... ta de mal com a vida é?”
- do português meio surdo que não conseguia explicar que só havia um quarto disponível no Hotel Marajó.
... entre outros.....


Fabiano e Cíntia
Ainda na segunda, recebemos a visita do Fabiano, nobre amigo acreano, que vive no Rio, companheiro de bandas das antigas, ex-aluno do Anzol, enfim, o cara é de casa...
O Fabiano toca em duas bandas por lá, além de estudar música. Ele e sua grande amiga, Cíntia, acreana de coração sem conhecer o Acre, foram os nossos grandes cicerones nas terras cariocas. Companhia muito agradável.
Fabiano e Cíntia, levaram-nos ao Sahara, um centro comercial muito antigo, que vende de tudo. Fizemos festas na loja dos óculos escuros por atacado. E a chuva só aumentava.
Na terça-feira, fomos nos apresentar no programa Atitude.com, da TVE/RJ, a convite do figuraça Pedro Paulo, é diretor do programa e assistiu ao nosso show no MADA. Conhecemos o seu apresentador, Léo Almeida, outro figura, que domina muito bem a condução de um programa ao vivo, que naquele dia tinha como tema a prática do jabá. Mandamos Lego de Palavra e Nada Além, uma rápida entrevista e “falou, galera!”.
*Fabiano e Cíntia estavam por lá, registrando tudo...


Ao vivo no Atitude.com - TVE/RJ

O Show no Odisséia
Após a TVE, deixamos as tranqueiras no Teatro Odisséia, onde tocaríamos mais tarde na Festa Laboratório Pop. Apesar da chuva forte e persistente, cerca de 300 pessoas foram ao local para assistir as bandas. A festa ia contar ainda com as bandas MopTop, Ímpar (nossos já amigos mineiros), Filhos de Judith, Biquini Cavadão, O Sete e Tantra.
Durante o nosso show, mais uma vez a galera do acre presente, com direito à famosa bandeira. Deixamos nosso recado. A recepção foi boa, foi um show em que nos sentimos bem à vontade, tinha um puta som, e uma excelente equipe de palco.

Festa Laboratório Pop - Teatro Odisséia /RJ


Após o show tivemos a honra de conhecer o Bruno Gouvêa, vocalista do Biquíni, que disse ter curtido muito a banda. Tem até um post muito massa em sua coluna, no site Laboratório Pop:

http://laboratoriopop.uol.com.br/pagina.php?abrir=texto_colunista.php&idcolunista=32. Lá também estava Mário Marques, editor-chefe da Lab-Pop e uma grande figura da cena rock carioca e brasileira, responsável pelo convite para tocarmos no Rio.




Quarta – 24/05
Brasília - A Pensão Seabra
Na quarta, embarcamos de avião para Brasília. Após experimentarmos, mesmo que por um pouco as experiências das viagens, iríamos agora para a nossa missão fonográfica.
Após uma tensa arremetida, por erro da torre de comando, pousamos (com segurança) em solo brasiliense e nos dirigimos para o apê do Fernando Rosa (Senhor F). Pausa para o já mencionado café metropolitano, fomos para a casa do plebe rude Philippe Seabra, sede do Estúdio Daybreak, para inaugurarmos a “Pensão Seabra”.
Pausa para explicação técnica: “A Pensão Seabra surgiu diante da impossibilidade do deslocamento diário de log6[f(x)4¹³²¼ 103 sul (hotel), para log8[2y+2x] norte(casa do Philippe)” Enfim, ao invés de dependermos das salgadas bandeiradas de táxi do distrito federal, ficaríamos na casa do cara mesmo. Pensando nisso, Fernando e Philippe e família providenciaram dois beliches, roupas de cama, a suíte de hóspedes da casa, e reduzimos nossa distância do estúdio a alguns passos. Grande idéia! A pensão Seabra ainda vai hospedar muita banda por aí!! A Pensão Seabra foi oficialmente batizada de "Daybreak Hotel".
*Fomos muito bem recebidos pela mãe do Philippe, Dona Silvia (um amor de pessoa) e por sua namorada-esposa Fernanda.



As gravinas
Como já foi descrito em posts anteriores, já havíamos conhecido o Philippe na ida para o Mada, em Natal. Ele já havia nos ouvido ao vivo e dado uns pequenos toques sobre algumas músicas. Na quinta-feira, demos início às gravinas. “Levantamos” o som da bateria e o Anzol começou a desferir suas baquetadas no estúdio. De cara, o som da bateria veio lindo, pesado, com uma puta acústica! Isso empolga qualquer músico ávido por registrar aquilo em que está acostumado ao ouvir ao vivo.


Anzol gravando as bateras


Sem contar que contávamos com um grande diferencial daquilo que tínhamos como experiência de estúdio: a produção. E isso o Philippe demonstrou dominar muito, com seu excelente ouvido e suas válidas orientações.
As bateras foram gravadas em um dia e meio, e as linhas de baixo também.


Gravando os graves...

...ouvindo os graves gravados


Guitarras...




Arsenal Sonoro



Sala de controle do Daybreak


Orientações..

Na sexta, 26, fizemos o último show da minitour, na “Noite Senhor F” do Gate´s Pub.Um local agradável, com um som audível, embora um pouco sem peso, mas compensado pela forte energia do lugar. Dividimos o palco com a dupla “pirulitesca” do Lucy & de Popsonics e os “psychobillyanos” Sapatos Bicolores. Detalhe: na confecção do flyer dos shows, devido a nossa volta do Rio, fomos destacados como banda carioca..! Tranquilo..
Pudemos novamente encontrar acreanos, entre eles o jornalista Pitter Lucena, que divulgou a torto e direito nosso show em BSB, Mariana, irmã da eterna “caricata” Carol Freitas, o “nóis
e nóis” Hugo Gallo, entre outros.

Show no Gate´s Pub - Brasília/DF
Em seguida, demos início às guitarras, o que custou um pouco mais, para encontrarmos os timbres ideais. Na semana seguinte, o Diogo voltou para Rio Branco, para cumprir com suas obrigações trabalhistas. Continuamos o processo de gravação, aprendendo sempre mais, com o Philippe no comando.
Na sexta-feira seguinte 02/06, rolou um show do Biquíni no Café Cancun, uma casa de shows Brasília. Recebemos o convite pessoal do Bruno para assistirmos ao show, e fomos até o hotel bater um papo com ele. Anzol e Magrão assistiram ao show e eu fui com o Dideus, outro nobre amigo acreano, a uma festa black/soul num pub chamado Landscape. Me senti no bar da Malú... Tinha hora que até parecia que eu conhecia alguém dali...
Sabadão, o Diogo retornou para gravar os vocais, e passamos o fim de semana fazendo o social no Porão do Rock, além do churrasco de confraternização Senhor F, que rolou na casa do Philippe.

Churrasco Senhor F

Diogo e Mário Marques (Lab Pop)

1ª "audição pública" das gravações

Conhecemos a galera das outras bandas do selo, Volver e Superguidis, duas grandes revelações dessa nova cena. Junto com o Fernando Rosa, fomos ao porão conhecer gente nova, assistir ao show da Volver (um dos melhores do festival) e fazer contatos, muitos contatos. Deles, surgiu a possibilidade de uma nova tour, dessa vez a minitour Senhor F, em agosto, e que ainda está em fase de articulação.,
Rolou também um show da Superguidis na Expotchê, na última sexta que ficamos por lá. Que bandassa vivo! Um som sólido, guitarras muito bem trabalhadas, belas melodias, vocalista com presença de palco e imagens poéticas mil...


A volta e a grata surpresa
A volta foi gradativa, Anzol voltou no começo da semana, Magrão na quarta, eu e Diogo no último sábado 10/06, onde, ao acordarmos de manhã, nos deparamos com o recorte de uma matéria de capa imensa no Jornal do Brasil, que o Mário Marques havia conseguido. Uma vizinha do Philippe havia deixado o recorte lá. Tentei fazer um “rapa” das edições do JB no aeroporto de Brasília, mas só haviam duas, esgotadas automaticamente no ato...rs
Quem quiser conferir a matéria é só clicar na imagem abaixo (lá, clicar em "Edições Anteriores" - 10/06 - "Caderno B" ):


Enfim, esses 22 dias de música intensamente vivida demonstraram o poder que a arte exerce sobre a vida, independente de onde ela esteja sendo feita. Mesmo com algusn momentos difíceis, levamos a música do Acre para outras capitais, confiamos nas mãos de outras pessoas para o mais sincero registro, e obtemos um grande aprendizado de vida!!


abraço,

João Eduardo













20 de mai. de 2006

Dias de estrada - Parte 2

Goiânia, Goiás.

São 17:42 e a Lan house quase ao lado do hotel não podia estar melhor localizada para que mais novidades venham à tona, afinal se todos pensam que nossa aventura mineira terminou com os sorrisos da Obra, posso dizer que na hora em que eu terminei de escrever o "relatório", no saguão do hotel em BH, é que ela estava realmente começando. Fico lembrando das biografias das bandas e das várias histórias toscas que já rolaram. Ontem aconteceu com a gente! Depois de escrever o diário que vcs já leram, James e Thiago foram conosco comer alguma coisa no shopping fantasma próximo ao hotel. Era relativamente cedo e dava para comer com tranqüilidade. Ainda deu tempo de passar no Hard Rock Café e conferir de perto o puta sistema de som, que um mês antes eu e o João tínhamos visto numa matéria da Áudio, Música & Tecnologia. Passagem rápida. Subimos mais um piso e lá estava a pastelaria da praça de alimentação fantasma, único estabelecimento aberto para se fazer uma boquinha. Desde a chegada o Magrão já havia nos alertado quanto ao horário, que tínhamos de chegar cedo na rodoviária, etc. Pastel vai, pastel vem, política, música, pop, rock, festivais, zeca baleiro, lenine e afins e a hora passou. Segundo o João, o cara que vendeu as passagens em Rio Branco tinha afirmado que o busão sairia às 8:30. Todos tranqüilos retornamos ao hotel apertando o passo, já que os ponteiros marcavam 7:30. Carregamos as coisas nos carros dos Alto-Falantes boys e partimos rumo à rodoviária. James comigo, Magrão e Anzol e o João com o Thiago no outro carro. O clima já era de despedida, aquela hora em que rola a avaliação do quanto tinha sido importante tocar na Obra, ter gravado pro programa, enfim... era hora do velho momento "valeu, mesmo!".

Todavia, nem imaginávamos que uma grande aventura tosca estava prestes a começar. Eu e o João fomos ao box da Real Expresso para preencher as passagens. Até aí tudo bem. Tudo como manda o figurino de uma banda que tem tudo na ponta do lápis. É... só que nós não temos tudo na ponta do lápis e foi quando o tiozinho da empresa pegou os bilhetes e perguntou: "cêis vão amanhã a noite?". – Não, vamos no busão das 8:30 – Respondeu o João, com uma leve demonstração de horror na voz. – Mas esse caro já saiu, aliás acabou de sair. – Disse o funcionário. – Fudeu! – Dissemos em coro, quando o horror já tinha nos dominado por inteiro. Mas com nessas horas sempre aparece alguém com uma "boa" idéia, o tiozinho disse que era só a gente correr pro carro que dava tempo de atalhar o busão no meio da estrada, já que ele ia parar em Betim, outro município que fica na região metropolitana de BH. O detalhe: segundo informações da agência em Rio Branco, só essa empresa fazia a linha BH-GO e que o próximo busão só sairia na próxima noite, na hora do que deveria ser nosso show em Goiânia. Ou seja, trocando em miúdos, corríamos o risco de não ter como chegar a tempo do show.

Numa cena típica de filme lado b, eu e o João saímos correndo pela rodoviária até o estacionamento com o coração na boca. Foi foda! Todo mundo enfiou as coisas dentro dos carros de novo e partiu rumo a... aonde mesmo? Na correria a gente esqueceu onde é que o ônibus ia parar. Voltei lá e perguntei. Os caras estavam ligando pro motorista para ele ir devagar. Foi quando o tiozinho me disse que o busão ia parar na antiga barreira, em Betim. Aí começou a odisséia. Corta daqui, pega a via expressa, passa o viaduto e segue pra Betim. Isso parecia fácil. O problema é que o coração tava na mão e os pés do James e do Thiago lá em baixo. O clima de "valeu, foi massa!" deu lugar ao "Meu deus, será que a gente vai achar a porra do ônibus?". E assim se passaram 50 minutos, uma dúzia de caminhos estranhos, o turismo rápido por Betim, cidade que vive em função da fábrica da FIAT, ultrapassagens alucinadas, buracos malditos, e a tensão de saber que poderíamos perder o show em Goiânia. No final das contas só achamos, com certeza, a maldita "antiga barreira" na volta (aliás ninguém sabia onde ficava, até os policiais!). Então começaram os preparativos para o clima "como é que vamos fazer agora?". Voltamos para a rodoviária e mais uma vez os deuses do rock abençoaram a história. Tinha uma empresa com um ônibus que ia pra Caldas Novas, perto de Goiânia. Só deu tempo de comprar as passagens e embarcar no ônibus. Nem acreditávamos que estávamos indo para Goiânia. Aliás, ninguém acreditava. O Thiago nem sabia se tava vivo depois de quase ser triturado por um caminhão, junto com o joão, quando pararam para pedir informação, lá na nossa cidade do coração, Betim. Êta, nóis! Já no clima "deu tudo certo, mas temos que nos ligar mais e confirmar sempre os horários das passagens" nos despedimos dos nossos companheiros de rali urbano. Durante a correria deu para saber que se o James não fosse artista gráfico, jornalista, assessor de imprensa, produtor e os caramba ele podia se arriscar em alguma das fórmulas. A mesma coisa o Thiago. O que foi mais bacana em tudo isso era saber que os seis personagens desse episódio surreal estavam passando por aquela situação por causa música. Isso é lindo, mas se tivéssemos confirmado o horário nada disso teria acontecido. Vivendo e aprendendo.

Apesar da estrada ruim e do frio, chegamos bem à Caldas Novas. Demos sorte e embarcamos no busão da Viação Paraúma, rumo à Seattle tupiniquim, Goiânia. Só pra magoar o coração dos quatro, ainda rolou um bloqueio da estrada, por agricultores em protesto. Uma fila imensa se estendia e, não sei porque motivo, nos deixaram passar. Seriam os deuses do rock atuando naquele cenário típico de Dois Filhos de Francisco?

Tudo certo, então. Chegamos em Goiânia e já encontramos uma galera na rodoviária. Entre eles, uma lenda viva do metal brasileiro, Carlos Vândalo... daí foi entrar na Van, falar sobre o samba do Evo Moralles, das idiotices do Minardi (como isso tá repercutindo), do Acre, da música... um almoço com os caras, onde o Magrão revelou sue passado metaleiro (ele tinha até os discos da banda do Carlão!). Mais um desses momentos bacanas, onde se conversa de tudo.

Depois do almoço, rumo ao ótimo hotel que a organização do Bananada reservou para as bandas. As primeiras impressões sobre a produção foram boas. Os caras são bem atenciosos com todo mundo. Daqui a pouco, vamos para o Centro Cultural Martim Cererê, onde rolam os shows. Deixa eu ir, senão a gente se atrasa. E de atraso já basta o aperreio em BH. Ah, o show de hoje vai ser dedicado aos alto-falante boys, em homenagem à enrascada que os caras se meteram por conta do falso horário das passagens. Saudações amazônicas!

19 de mai. de 2006

Dias de estrada

A mini tour dos porongas começou na madrugada de quarta para quinta, quando embarcamos rumo a Belo Horizonte. No vôo encontramos o Presidente da FEM, Assis Pereira, que ia participar de um Forum no interior do Mato Grosso. Ele e outras pessoas, inclusive o pessoal da Gol, nos desejaram boa sorte na empreitada. O matador vôo da Gol, que sai às 2h da madruga, estava vazio e deu para descansar até a conexão em Brasília. Da capital, tudo no horário, seguimos para a capital do brasileiro rock progressivo do Clube da Esquina, do trash metal do sepultura e do pop seminal do Skank, Jota quest, Pato Fu. BH, uma metrópole com mais 3 milhões de habitantes nos recebeu com um pouco de frio esquecido com o sorriso estampado no rosto do James, da produção do Alto-Falante, que nos esperava no aeroporto. A atenção e o carinho do James, que também se chama Rodrigo, se estenderia a todos os outros personagens mineiros que apareceriam nessa história. Coisa boa que fez com que esquecêssemos o duro pouso do avião no aeroporto de Confins.

Do aero, atravessamos a cidade em mais de 50 minutos, com direito à explicação do nosso cicerone e guia turístico James. Depois de cruzar BH, chegamos a uma das partes mais altas da cidade, onde fica o hotel Piemonte (que hotel), uma gracinha que faz toda a diferença para uma banda que tá na estrada. O hotel e alimentação foram bancados pela Rede Minas, parceira no projeto Noite alto Falante, que acontece na Obra, onde tocaríamos mais tarde. Depois de deixar as coisas no hotel, o prestativo James (não dá pra não elogiar, porque a atenção dos caras comprova a máxima de que "mineiro é tudo gente boa!") nos passou o relaxado roteiro: fomos a um shopping, onde fica a Oi FM, gravar uma participação para o Programa Frente, do Henrique Portugal, tecladista do Skank. Depois de falar sobre o Acre, a cena, a música e assuntos interligados, fomos experimentar um pouco da culinária mineira: MCdonalds(!). Isso é de fato um fetiche tosco, mas fomos lá. Na verdade a comida mineira só viria na janta (também paga pela rede Minas), num restaurante tradicional da cidade. No Mac, encontramos outra figuraça, que havíamos conhecido no MADA, em Natal, o Thiago, também da produção do Alto-Falante. É muito bacana poder encontrar pessoas que compartilham das idéias sobre o mundo da música independente e o Thiago é um desses caras com consciência e "visão panorâmica". Pra variar, muito papo.

Em seguida fomos gravar o quadro "Garimpo", do Alto-Falante, no espaço cult da cidade, o Café com Letras. Sabe aquele espaço Los Hermanos, que só falta um letreiro dizendo "dedicado especialmente aos estudantes da área de humanas que querem discutir semiótica"? Pois o lugar era esse e fomos lá falar um pouco sobre o tal rock amazônico(!) dos Porongas além, é claro, de fazer as imitações do Terence, da Zélia Duncan, do Dinho Ouro Preto... A produção tinha reservado até a hora da soneca. Voltamos ao hotel e descansamos até às oito e meia, quando fomos passar o som. A Obra é um legítimo pub, literalmente underground (você desce uma escada e o espaço fica no sub-solo). Aquele lugar tem uma bonita história, mesmo sem citar os nomes que já passaram por aquele palco, pode-se afirmar que, sem sombra de dúvidas, A Obra, é dos poucos espaços que conheci, onde o que fala mais alto não é o faturamento da bilheteria, mas a música que é emitida do tímido e suficiente sistema de som. A Obra é o maior palco da cena independente mineira e, quiça do Brasil, muito pelo idealismo e coração impregado no lugar pelo seu mentor maior, o Claudão. Na pasagem, duas coisas massa de cara: um técnico atencioso, o Gil, e "Os quatro Caras", banda pop mineira bem resolvida que, pra variar, tem quatro caras muito gente boa (é a velha máxima).

Enquanto rolava a tradicional conversa paralela (guitarrista - guitarrista, baixista-baixista, batera-batera) eu conversava com o vocalista e sua namorada, que conhecia muita gente de Rio Branco e era muito amiga do Ricardo Bartholo. Há uma teoria de que BH é um ovo. Nos disseram isso várias vezes. Como no Acre a gente também tem a mesma teoria, percebi que o Brasil é um ovo e que todo mundo se encontra nessa estrada doida. Depois da passagem, era hora de desfrutar o jantar redeminiano na companhia do inseparável James, ou Rodrigo, como preferirem. Ao sabor dos tutus, costelinhas e congêneres, muita discussão sobre música mineira. Do clube da Esquina ao Jota quest, passando pela cena independente, foi uma aprendizado do caralho.

O cara tá escreendo um livro sobre o clube da Esquina e descobrimos, durante o papo, quando o Thiago também já tinha chegado ao restaurante, que o Rodrigo era o cara que tinha escrito uma das matérias que mais tinha nos inspirado depois do começo da banda. A matéria falava sobre os dez anos do skank, quando os caras lançaram o cosmotrom, e foi publicada na Zero. Ainda lembro de quando cheguei na casa do João e ele me disse, há mais de um ano: "olha aquela revista ali, tem uma puta matéria sobre o skank". Tinha ficado impressionado com o texto, a abordagem e o conteúdo da matéria. Muito inspiradora também pela própria trajetória do Skank. Era massa poder estar jantando com o cara e dizer pra ele que o seu trabalho tinha nos inspirado. Isso prova que quando a obra é boa, seja música, jornalismo, produção, ela fica, e como fica.

Depois da janta, era hora da batalha. A Obra não ficou lotada nem ficou vazia. O lugar que comporta umas 200 pessoas, devia ter umas oitenta. Todos atentos para o pop competente dos quatro caras, que abriram a noite com um belo sotaque mineiro. Com o clima mais quente, era nossa vez de subir ao palco. O fato de sermos uma banda do Acre gerou, pelo menos, uma curiosidade na galera. Alguns desconfiavam. Teve uma garota que chegou na portaria e perguntou ao segunrança: "Uma banda do Acre? Que som eles fazem?" diante da explicação esforçada do segurança, a moça fez cara de "eu, heim" e preferiu ir embora. É massa ver a reação das pessoas. Será que quando tocássemos a reação também seria essa? Estávamos tranquilos. Quando Claudão nos anunciou, o público se aproximou mais e esperou que começássemos. Fomos tocando nossas músicas, uma a uma. Nada de luzes, máquina de fumaça, microfonação da bateria. Éramos nós e a galera, frente a frente, num diálogo que foi se tornando mais interessante a cada final de canção. Minas sorriu pra gente nessa noite. Rolou até a versão de come together, única que foi balbuciada pelos presentes. A debandada, possível, não aconteceu, e nos despedimos da primeira cidade do sudeste em que tocamos, com um sorriso do tamanho do que ela nos deu, na face do James, quando descemos do avião. Agora é Goiânia, bananada. Até mais. As saudações de sempre!





9 de mai. de 2006

Música, realmente o alimento da alma

Los Porongas no Festival Mada - Natal, RN
por João Eduardo
Indo...
Voar não é lá aquilo que mais gosto na vida. Enquanto Anzol, Márcio e Diogo caem no sono já mesmo durante a decolagem, eu fico ali, ligado no barulho das turbinas..
Bem, embarcamos para o Mada com as mais incertas das expectativas, sem a menor idéia do que poderia acontecer nas terras potiguares.



“Senhoras e senhores, bem vindo a Brasília, temperatura 13 graus. A Gol, na sua maneira inteligente de ser...”, chega de aeromoça. Longa pausa de 14 horas em Brasília, para seguirmos com a conexão para Natal. Aproveitamos o ensejo para nos reunirmos com o Fernando Rosa (Senhor F Discos) e acertar os detalhes da gravação do 2º CD. Fernando aparece e seguimos para o seu apartamento, com o mesmo orientando o taxista quanto as tradicionais coordenadas de qualquer endereço brasiliense: “siga para Norte, C, 408, 245°, f(x) 23,7, lat 23, longit. 32,6.” Chegando lá, um café da manhã típico de metrópole nos aguardava. Conversa vai, conversa vem, ouve isso, saca aquilo, e tal. Conhecemos a Bete, esposa do Fernando, super serena, bem acostumada com o trâmite musical das bandas que já passaram por ali. O telefone do Fernando toca, é o Plebe Rude Philippe Seabra. “Ok, Philippe, já, já estaremos aí”.
Bate-papo com Fernando Rosa: café da manhã metropolitano

Som em Brasília
Novamente, outra coordenada equacional / longitudinal para o taxista e seguimos para a Asa Sul, na casa do Philippe, um dos quartos da maternidade do rock de Brasília. Um pedreiro está finalizando uma escada de madeira improvisada, que dá acesso ao Daybreak Studio, que segundo o Fernando, possui um dos melhores sons de batera e guitarra do país. Na sala de gravação, uma dezena de caixas de bateria, amps de guitarra, e o papo rola solto, com o Philippe soltando algumas expressões do ramo da tecnologia musical, que nunca ouvimos na vida. Papo produtivo. Almoçamos uma deliciosa macarronada, onde o Diogo sugou todos os detalhes do surgimento da cena rock brasiliense, como bom fã do Manfredini que é. “Ok, vamos fazer um som?”. Esse foi o grande desafio do dia. Pelo menos pra mim, que estava sem minha alma gêmea, a pedaleira, que tinha deixado no guarda-volumes do aeroporto assim como os pratos do Anzol e a pedaleira do Magrão. Tocamos as músicas “a seco”, mesmo. A cada música que tocávamos, Phlippe ia fazendo suas anotações, com um olhar crítico e atencioso, sobre os mais variados detalhes: os pratos daquela parte, o dedilhado da outra, o desenho do baixo tal. Tudo muito novo pra nós, receber as orientações de um produtor, que está ali para visualizar o CD gravado, pronto. Interessante.
Philippe, Fernando Rosa e Porongas
" Daybreak" no estúdio

Rumo aos Potiguares
21:00, hora de embarcar para Natal. “Em caso de despressurização da cabine, máscaras de oxigênio cairão...” , porra, podia ter um fone de ouvido em cada poltrona, aí quem quisesse, ouviria as orientações. No sobrevôo da escala em Recife, eu e o Anzol tentávamos adivinhar onde estava o mar, à noite... chutamos umas dez possibilidades.
Chegada em Natal, alguns problemas com a recepção por parte da organização, que não estava muito afim de nos recepcionar – afinal, o que mais podemos esperar de quem está esperando uma banda do Acre? O hotel é do caralho, beira-mar, ao fazermos o check-in, começa o show do Rappa. O local dos shows era ao lado do hotel. Muita barulheira, muita gente, muito grave, e os caras entoando aquilo que já fazem há mais de treze anos. Ainda bem que os caras tocaram plugados, sem aquelas mangofas do acústico.

"A vista do quarto do hotel... é uma doideira"

Dia de Show
Dia seguinte, uma breve praia para aquecer. Como todo mundo diz, as praias de Natal realmente são maravilhosas. Ah, perdemos a passagem de som, que estava marcada para às 9 da manhã. Já são quase 9 da noite, próximo a hora do show, e recebemos o convite da MTV para participarmos de um campeonato de “totó” interbandas, com o Daniel Beleza e os mosntros musicais do Macaco Bong (que, infelizmente, mas infelizmente, mesmo, não chegamos a tempo de ver o show dos caras). Gravamos o quadro, e tome show. Foi aí que rolou a maior surpresa: cerca de mil pessoas já estavam na espera do show, fato que foi bastante comentado, pois jamais a primeira banda de uma noite do festival havia tocado para “tanta gente”. Era muito mais do que esperávamos. Eu, pelo menos, já havia contado o número de seguranças que iriam assistir ao show, cerca de 20, e estava contente com isso. O show foi muito bem recebido, começamos com “Tudo Ao Contrário”, depois veio “Lego de Palavra”, “Enquanto Uns Dormem”, “Nada Além”, “Subvertigem” e “Ao Cruzeiro”. Fiquei realmente impressionado com a recepção do público. Valeu a pena. A galera do Acre residente nas redondezas marcou presença, com a nossa conhecida bandeira. Emocionante. Recebemos também muitos elogios por parte da organização e da imprensa que estava cobrindo o Festival:
Página principal do Laboratório Pop/RJ, no dia seguinte do Festival
Showzaço o do Cachorro Grande. Confesso que mesmo com a minha aversão a essa gripe do frango do som mod sixties que domina a cena atual, onde os bateristas parecem ser os mesmos das quase 12.342 bandas que andam fazendo esse tipo de som, o show dos gaúchos foi potente, pesado. Muito rock na veia. Aliás, acho que essa infestação sixtie é total influência dos caras, pois é uma das únicas bandas no estilo que ta conseguindo fazer sucesso com isso. Showzão emocionante. O show da Pitty também foi massa, embora bem adolescente. Assisti de cima do placo só pra sentir a vibe de um show headliner.
Na madrugada, ainda rolou um momento all beatles onde trombei com a galera do Cachorro e da MTV no saguão do hotel, que possuía um maravilhoso piano Fritz Dobert de cauda. Dele, entoamos vários clássicos dos fab four, até sermos quase que apreendidos pela segurança, já que eram quase seis da manhã.
*Não tiramos fotos do show, só filmamos, e as imagens vão estar disponíveis na web logo, logo. Nos próximos dias, as fotos dos shows entram no site www.rockpotiguar.com.br.


O maravilhoso Fritz Dobert

Visita da galera do Acre no hotel

O que isso tem a ver com os textos???...

"Breve" retorno

O Sábado começou por volta das 13h, com uma rápida ida à praia, e um delicioso ( e barato) rodízio de camarão. Nos shows da noite, Nando Reis deu a tônica da música honesta no festival.
4 da madrugada, hora de voltar pra casa. “Senhoras e senhores...” , pode falar à vontade agora, moça, porque a vista do mar com o dia nascendo é incrível.
Em Brasília, novamante a longa conexão de 14 horas, fomos ao apê do Fernando, dormimos um pouco, almoçamos um feijão preto com arroz e lingüiça deliciosos, preparados com muito carinho pela Bete, que, segundo o Diogo, tem um “jeito de mãezona”. Conversamos um pouco mais, acertamos alguns detalhes, e embarcamos de volta.

Início da odisséia da volta

Ah, pra variar, ainda iríamos ouvir às orientações dos comissários de bordo mais umas trinta vezes, já que um overbook nos desviou para Manaus e nos fez aguardar cerca de 1 hora em Porto Velho, movidos de muito ânimo e disposição.
Brincadeiras à parte, ânimo e disposição já não haviam mais, porém a felicidade e sensação de dever cumprido, que independem de tudo, reinavam nos quatro corações de cada um da banda.
Valeu, Natal!


















20 de abr. de 2006

Los Porongas nos Festivais Mada e Bananada


Viajando longe daqui...

Pois é, recentemente os Porongas tiveram a honra de receber o convite para a participação, em maio, de dois importantes festivais da cena independente nacional: Mada, em Natal/RN e Bananada, em Goiânia. Certemente será uma grande oportunidade para divulgar a música acreana em outras paragens!! Também estão previstas outras novidades, que estaremos divulgando em breve.
Datas:
Festival Mada - 4, 5 e 6 de maio - www.festivalmada.com.br
Festival Bananada - 19, 20 e 21 de maio
Festival Mada - Natal/RN
Púlico no Bananada - Goiânia / 2005