10 de jan. de 2008
Los Porongas entre os melhores de 2007
Sobre as datas dos próximos shows, basta acessar a comunidade da banda no orkut.
Sobre o que rolou em 2007, segue matéria publicada nos jornais de Rio Branco. Saudações amazônicas e musicais a todos e um 2008 de muito som sempre!!!
diogo
Acreanos Los Porongas entre os melhores de 2007
O ano de 2007 foi um ano particularmente especial para a banda acreana Los Porongas. Formada em 2003 por Diogo Soares (voz), João Eduardo (guitarra), Márcio Magrão (baixo) e Jorge Anzol (bateria), a banda se mudou em maio do ano passado para São Paulo, depois de lançar seu disco no Acre, no intuito de deixar de ser uma das promessas do rock brasileiro para se tornar definitivamente um nome respeitado no cenário nacional.
Desde que chegaram a São Paulo, os Los Porongas fizeram trinta shows em mais de sete cidades, gravaram dvd pelo Itaú Cultural, se apresentaram por três vezes ao lado do guitarrista Dado Villa-Lobos, voltaram ao Acre duas vezes para apresentações memoráveis e tocaram em várias casas rocker da capital paulista além de percorreram o Circuito Fora do Eixo de festivais independentes.
Repercussão no exterior
Em 2007 a banda foi destaque em vários veículos de mídia. No Brasil, a Folha de São Paulo, Jornal da Tarde, Revista do Fantástico, Revista da MTV, Rolling Stone Brasil e vários sites de notícias como UOL e G1, deram matérias com os acreanos. Este também foi o ano em que os Los Porongas começaram a aparecer lá fora. A Rolling Stone latina fez ótima crítica para o disco, a revista espanhola Zona de Obras lançou uma coletânea com a música Enquanto Uns Dormem e a revista Brazuca, destinada ao público brasileiro residente na França e na Bélgica apontou os Porongas como uma das revelações brasileiras.
Melhores de 2007
Mas o que deixou os acreanos mais contentes foi a constância que os Los Porongas tiveram nas tradicionais listas de melhores do ano, feitas por críticos musicais e veículos especializados. O show no Festival Varadouro foi considerado por Bruno Dias do Urbanaque e por Humerto Finatti da Dynamite como melhor show nacional do ano. O disco de estréia também não ficou de fora das listas. A Rolling Stone Brasil o classificou entre os 25 melhores nacionais e a bolacha foi incluída nas listas do Music News; do programa Alto-Falante(MG); do Cult 22(DF); do Espaço Cubo(MT), do site Dynamite(SP), do produtor Bruno Montalvão(SP), da Mundi Editora (SC), entre outras, muitas vezes sendo considerado como o melhor ábum de 2007.
"Na voz e letras de Diogo Soares e na guitarra dissonante de João Eduardo estão depositadas as esperanças do rock nacional. Canções como "Espelho de Narciso", "Suspeito de Si", mas principalmente "Enquanto Uns Dormem", nos fazem pensar e ver que a música pode ir além de forma simples e honesta. Los Porongas coloca esses jovens acreanos na vanguarda da música nacional, e isso é apenas o começo.", Rolling Stone Brasil.
A banda também foi considerada uma das melhores em atividade no ano passado. O Myspace Brasil, apontou a banda como uma das 10 melhores do país. Pelas palavras do crítico músical Jamari França, do Globo On-line, dá para se ter uma idéia do que os Los Porongas conquistaram em 2007: "A banda acreana Los Porongas é uma de muitas que estariam no mainstream se houvesse honestidade no show business. O disco lançado pelo selo Senhor F Discos com produção de Philippe Seabra (Plebe Rude) mostra uma banda pronta com boas músicas, levadas rock melodiosas sem cair em clichês.
Atividades em 2008
A agenda da banda em 2008 segue cheia. Dia 25 de janeiro os Porongas se apresentam no Clube Belfiori em São Paulo e todos os finais de semana de fevereiro já têm datas agendadas com apresentações na capital paulista e em Curitiba. Este ano, além de estar confirmada para participar de grandes festivais e de estar se preparando para incursões pela América Latina e Europa, a banda pretende lançar um novo site e trabalhar a divulgação do seu registro mais recente, em DVD, que tem previsão de lançamento no Acre em julho deste ano com dois shows na cidade de Rio Branco.
Assessoria de imprensa Los Porongas
30 de nov. de 2007
Das últimas andanças...
O Quarto das Cinzas no Jambolada - Por João Eduardo
Play TV
Sem Ronaldão, nada de ação!
Para conferir o resultado dessas gravações é só clicar nesses links aqui:
Poploaded do Portal IG
Tudo ao contrário: http://youtube.com/watch?v=GoqPR7AYQk4
Nada Além: http://youtube.com/watch?v=OjWmJ4dXhFI
Enquanto Uns Dormem: http://youtube.com/watch?v=LhiLB-du1zM
Lego de Palavras: http://youtube.com/watch?v=zymf4r9br_g
Retrato Calado no quadro 12 Horas no Estúdio:http://youtube.com/watch?v=tjl09GDt7kk
Para ouvir a música, ver a letra e baixar:
http://tramavirtual.uol.com.br/artista.jsp?id=66346
Depois das gravinas voltamos à terra-mor do triângulo mineiro para subir ao palco junto com o Falcatrua em nossa segunda apresentação pelo Conexão Telemig. Dessa vez, tocamos na praça (a mesma onde o Jambolada havia sido encerrado com apresentações memoráveis d'O Quarto das Cinzas e Móveis Coloniais de Acaju) em uma noite quente e cheia de gente interessante.
Berlândia, Berlândia...
Das Gerais às terras de Galvez rumamos para um lugar que não conhecíamos, o Acre. Digo isso, porque há muito mais no Acre do que qualquer um de nós pudesse ter percebido. Da cor do tempo ao entardecer e do próprio tempo aos temperos carregados de pimenta de cheiro, o Acre é meu mais saboroso mistério. Eu, João e Anzol fomos antes para aproveitar o Acre, matar um pouco da saudade e auxiliar na produção do Festival Varadouro. O Magrão só chegou na véspera do show e foi ele quem me explicou, com Nietzche, que só se repara nas torres de nossa cidade quando nos afastamos dela.
"A vista da cidade de Rio Branco é uma doidêra"
e eis a vista de onde havia uma jaqueira...
Em quase um mês no Acre vimos o Catraia Records (o selo que lançou nosso primeiro EP em 2005) se transformar em Coletivo Catraia e fazer do Varadouro um grande laboratório para a cena musical acreana.
Pablo Capilé, Adaildo Neto e Daniel Zen,
na reunião que organizou o Coletivo Catraia no Acre
Muitos fãs, amigos e músicos, que lembro, presentes em nossos primeiros shows como público, estão agora, junto com quem movimentava a cena por lá, à frente da contribuição do Acre para o bonito processo de democratização que toma de assalto a música brasileira e mundial.
O mapa da coletividade: músicameio/músicafim
Em Rio Branco, deu também para ensaiar e registrar a musicalidade de Hermógenes, do grupo Capú, no documentário sobre os Porongas, que será lançado junto com o DVD do Itaú Cultural, ano que vem.
Hermógenes conosco no Varadouro: honra, música, mágica - por Renato Reis
E foi também nesse pequeno mês que vimos um Varadouro seguindo seu ritmo de crescimento e sua vocação de caminho da música no Acre, apresentando uma nova safra de bandas acreanas como Marlton, Survive e Filomedusa. E é claro, no clima dos bonitos encontros que os festivais proporcionam, nos vimos diante de um público cantante e consciente de que o Acre tem sim muito a dizer.
Los Porongas no Varadouro, pelos olhos sempre lisérgicos de Renato Reis
Depois do Varadouro, voltamos para Sampa para cumprir uma agenda diferente. Pela primeira vez, faríamos uma temporada em uma casa noturna de São Paulo. As quartas-feiras de novembro seriam para os Los Porongas destilarem suas canções no Sarajevo, recanto alternativo/underground paulistano, na Augusta. Dizem as boas línguas daquele lugar que o Sarajevo tem alguns mistérios. E eu que pensava que mistério fosse coisa de causo de seringueiro.
É... não sei sobre a mística do Sarajevo, mas sei que momentos mágicos têm acontecido naquele lugar. Logo no primeiro show, quando fazíamos Come Together, do meio do público me sai um senhor com uma folha na boca fazendo a melodia do refrão da música. Não deu outra, ele subiu no palco e foi uma sonzeira. Essa primeira noite teve um recorde de público para uma quarta-feira na casa, o que nos deixou muito satisfeitos.
Sarajevo, place of causos...
Os outros shows, que sempre contam com a presença de fãs e amigos (até o Dande Tavares, o primeiro cara a contratar os porongas, esteve por lá!), têm sido muito divertidos. Num deles, tivemos a abertura da banda UNIT(CE), um antigo projeto do guitarrista Carlos Gadelha, d'O Quarto das Cinzas, além da participação de Laya Lopes, tb d'O Quarto.
Ontem rolou a última edição das quartas no Sarajevo no melhor dos climas, com o show contando com a participação mais que especial de Gigi, da Vanguart, que cantou Enquanto Uns Dormem comigo. A boa notícia é que o dono da casa nos convidou para um show no próximo dia 08/12, um sábado, a noite forte da casa.Good vibes, good notices.
Enquanto Uns Dormem, com Reginaldo - por Angela Samapaio
Para conferir fotos dessas e outras noites, basta acessar o Picasa da fã número um dos porongas em sampa, Angela Sampaio. http://picasaweb.google.com.br/angelaf.
Hola! Los Porongas na Espanha!!!
E por falar em notícias, foi exatamente Enquanto Uns Dormem a música escolhida pela revista espanhola Zona de Obras para constar em sua coletânea sobre novidades do rock. O disco será vendido junto com a revista em dezembro nas plagas de mouros europeus. Good notices!
Entre a temporada no Sarajevo, houve três outros shows em São Paulo, Londrina e Porto Alegre. Tocamos no OUTS, dia 10/11, numa noite solo. Lembro que no improviso de Come Together rolou até James Brown;
Camarim do Outs, depois do show
No dia 18, rumamos pela primeira vez com a banda ao sul do país para nos apresentarmos na sétima edição do Festival Demosul, que acontece em Londrina. Lá, do lado da rodoviária tem uma rua chamada Acre. Estaríamos em casa? O show do Demosul foi emblemático, apesar de termos tocado cedo demais, porque o público respondeu muito bem às nossas canções e porque aquela noite, já podíamos dizer que tínhamos tocado em todas as regiões do país.
No Demosul pudemos rever muitos amigos e fazer outros. Lá houve encontros etéreos com os Vanguart, revimos Armad e Ney do Espaço Cubo, pedreiros incansáveis; assistimos a mais um show destruidor do Móveis, conhecemos Jonnhy, vocalista do Toa toa, do Rio, e compositor de Tropa de Elite (pega um pega geral... essa mesma!) e a galera do Eddie, fundadores do mangue beat, junto com Chico, a Nação e Mundo Livre. Nossa volta para sampa foi à companhia de alguns integrantes do Ludov, numa tranquila viagem de van.
Lago Igapó, símbolo londrinense
Semana seguinte, o buraco, ou melhor, o destino era mais embaixo. Desta vez fomos a Porto Alegre, para tocar no Gig Rock Circus, evento que reuniu muitas bandas locais e grandes nomes do independente como Autoramas, Moptop - os dois melhores shows da noite na opinião dos porongas - e Pública, que fez sem dúvida, a mais emotiva das apresentações.
Porto Alegre da janela do hotel
Pública
Autoramas
Moptop
Na beira do Guaíba, onde aconteceu o Gig Rock, sentimos falta dos Superguidis, que estavam se apresentando no Goiânia Noise. Certa hora conversando com o Anzol, contemplando a beleza daquele rio, ele me disse: - Há dois anos a gente estava admirando o Madeira em Rondônia, hoje é o Guaíba. E a pergunta que fica é... a que outros rios nossa música ainda vai nos levar?
Que venha o Sena...
Guaíba com chuva - por João Eduardo
Festival Jambolada (Uberlândia-MG) – 14/09
Gravação Poploaded - IG (SP)- 26/09
Gravação Trama 12 horas (SP) – 27/09
Conexão Telemig (Uberlândia-MG)) - 05/10
Festival Varadouro (Rio Branco-AC) – 20/10
Sarajevo (SP) – 07/11
Outs (SP) – 10/11 - solo
Sarajevo (SP) – 14/11,
Festival Demosul (Londrina-PR) - 18/11
Sarajevo (SP)– 21/11
Festival Gig Rock Circus (Porto Alegre-RS) – 24/11
Sarajevo - 28/11
diogo soares
13 de set. de 2007
Pelas Gerais...
Conexão
Fomos convidados para participar de um projeto chamado Conexão Telemig Celular. A empresa, financia projetos beneficiados pela Lei de Incentivo Estadual e realiza eventos com vários artistas de Minas Gerais e convidados do Brasil inteiro. Esta foi a sétima edição do Conexão.
Falcatrua falando alto
Quem nos convidou foram os Falca, para os íntimos. A banda Falcatrua(http://www.falcatrua.com.br/), que mistura rock, samba, circo, música pop e poesia de alto nível em seu pau de arara espacial tinha de convidar um artista para dividir o palco em três apresentações. São João del Rey (07/09), Uberlândia (05/10) e BH (ainda sem data). A dica para o encontro veio da cabecinha iluminada de um desses jornalistas musicais que não se contentam em escrever a história e acabam participando dela. Terence Machado, do Alto-Falante sugeriu os Porongas e os Falcatrua, que já haviam tocado junto conosco nos 9 anos de Alto-Falante ano passado toparam a idéia.
Depois de alguns cordiais e-mails e telefonemas depois para acertarmos desde as passagens até o formato da apresentação arrumamos as malas e partimos para São João. A saída de sampa foi demorada... imaginem toda São Paulo querendo fugir de si mesma para aproveitar o feriadão! Fazíamos parte dessa enorme boiada e apesar do engarrafamento que atrasou a viagem em cerca de duas horas, passamos oito horas na estrada (nada, é verdade, para quem já saiu do Acre de busão!).
O cansaço da viagem foi amenizado pela beleza do amanhecer em Minas. O nascer do sol sobre os ipês roxos que se espalham pelos campos é indescritível e foi sob o efeito desses entorpecentes que chegamos à rodoviária da cidade e partimos para o Hotel Chafariz.
Pão de queijo, requeijão e queijo qualho
Quando aportamos no hotel, os quartos ainda não estavam disponíveis mas o café já estava liberado. Oba! Será que tinha pão de queijo? Depois de satisfazer nossos desejos gastronômicos os quartos já haviam sido liberados. Os porongas estavam com sono mas eu, pra variar, queria entrar na internet. Sobem os músicos para tirar um cochilo e resta o canário no saguão do hotel dando aquela navegada com o velho amigo google, pedindo para que ele e o simpático funcionário do hotel explicassem mais sobre a cidade da qual tanto eu ouvira falar pelos livros de história.
Cochilo e passagem
Umas dez da matina, a van comandada pelo produtor-alegria Luciano, ou melhor, “luciano-não-porra-LU!” encosta no Chafariz e de dentro dela vão saindo mais uma leva de mineiros-gente-boa (acho que isso é uma espécie típica das Gerais). Os Falcatrua chegavam à cidade. Depois de um alô rápido, subi para tirar um cochilo até a hora da passagem de som, que seria dali a pouco.
Lá pelas 11, os Falcatrua foram primeiro e na “quência”, como dizem os cuiabanos, os porongas desceram para aguardar a van. O bom é que o Magrão tava com pouco sono então foi muuuuito fácil de convencê-lo a passar o som, rs.
Quando a van voltou pra nos buscar... quem é que nos saúda? LU, é claro! Fomos trocando idéia até o centro histórico onde o palco estava montado.
Together
Passamos o som com Come Together, a música que faríamos juntos, com o André (voz) e Baiano (guitarra) do Falcatrua participando. Foi uma passagem rápida mas que já deu pra sentir como seria a vibe quando a noite caísse, o conexão começasse com outros artistas, e os Porongas, depois do Falcatrua, entrassem para fazer cinco músicas mais o songbeatle.
Naquele clima de jogar conversa fora, que aliás, mineiros e acreanos adoram, chega o Lu com nossas credenciais e mandando todo mundo correr para a van. Hora do almoço no bom restaurante do hotel Chafariz que ficava em outro local, bem perto dali de onde estávamos.
No almoço, aquela discussão da cena de sempre temperada por ótimas histórias, afinal, almoço com mineiro é almoço de causo. E eis que chegam, na boa hora, Terence e sua esposa, Carina, pra almoçar conosco. Depois das nececidades gastro... o superprodutor Lu anuncia as possibilidades: hotel para os cansados, piscina de água natural para os passeantes, agenda de entrevistas para o Falcatrua. Magrão e quase todos os Falca foram pro hotel tirar uma soneca. André foi cumprir a agenda de imprensa e o tranquilo baixista Danilo (que tb cozinha!) eu, Anzol, João, Terence, Carina e Fred, empresário dos Falca, fomos para um lugar que não era sexo, orégano e rock and roll mas era do caralho, como diria Wander Wildner.
Anzol, desprovido do velho calção de banho quase fica sem passear, não fosse o Lu, claro, que emprestou uma bermuda que ainda combinava com a toca e a blusa do nosso estiloso batera. E lá fomos nós desfrutar aquela tarde mineira... só quem entrou na água foram os porongas, mas o Anzol saiu logo e enquanto os adultos conversavam, eu e o joão aproveitamos a piscina e os jatos de água mineral – a melhor hidromassagem da história. Me lembrei do tempo em que eu era moleque e saia com os dedos todos engilhados da água, sob os cuidados já impacientes do meu pai. Fazia tempo que não me divertia tanto...
Mineiros pescam no purus
Lá pelas cinco da tarde... o super Lu reapareceu para nos levar de volta ao hotel, acompanhado do André e do Alexandre, um cinegrafista-mineiro-gente-boa que registrava tudo e que já acompanha o Falcatrua há um tempo. O João pegou uma trilha e tirou fotos lindas.
Fala toca janta fala
De volta ao hotel... um papo de bons longos-curtos minutos com André. O vocalista do Falcatrua é desses front man mais sensíveis que aparecidos, dotado de uma percepção muito particular. Todas as tralhas arrumadas, roupas e acessórios na mochila e vamos para o jantar. E que jantar! O lugar era aconchegante, além da comida refinada ainda tinha um piano... prato cheio para os beatlemaníacos de plantão que alegraram os demais com notas de liverpool.
O cubo-man-maior e as cubo-girls estavam em São João para participar do circuito de oficinas que também faziam parte da programação do Conexão. Como sempre muita sintonia na degustação coletiva de idéias, sonhos e ideais. A mesa gigante teve espaço para discutir da falência do mercado fonográfico aos pousos e decolagens do Flyth Simulator. Magrão, que já havia pedido um delicioso Chardonay, degustado por quase todos, encontrou no Carioca, batera dos Falca, e no Igor, roadie dos mineiros, dois animados interlocutores para as experiências de pousos e manobras virtuais de boeings e aeronaves outras.
E quem é que chega? Lu! É, óbvio! - 10 MINUTOS todo mundo na van pra zarpar para o local do show!!! E todos numa obediência religiosa, voluntária e sorridente se distribuíram em devidos seus lugares e seguiram para o centro histórico, para a igreja, para o palco, para o show. Todos menos o João, que ficou pirando no piano baixinho, como quem resolve um problema matemático, numa de suas novas composições. Quer dizer, nem todos tinham ido porque o Terence fotografava o João e eu fotografava o Terence e prestava atenção na explicação do João sobre a idéia nova. Ê, delícia!
Lá chegando nos deparamos com um público que tomava a rua de paralelepídedos assistindo a apresentação dos primeiros artistas da noite.

Antes disso, ainda deu tempo de me afastar do som e da muvuca com o André e passarmos a música que faríamos juntos, literalemente “nas coxas”, já que márcavamos o tempo batendo na perna. Os dois ali, sentados no meio fio cantarolando Come Together. Dois canários desprovidos de seus escudeiros harmônicos, os guitarristas, sempre mais que necessários, mas se virando bem...
Rituais
Antes do Falcatrua subir, fizemos a reunião da “merda” coletiva, atrás do palco e trocamos os cumprimentos. De mãos dadas, levantamos os pés direitos até uma altura média enquanto nos olhávamos nos olhos e depois pisamos com força o chão, para entrar com o pé direito. É um bonito ritual o dos caras. Nessas horas a gente se sente como os índios que trocam presentes e rituais quando em terra alheia. Os Porongas costumam se abraçar e ouvir do porta-voz-da- hora- merda, João Eduardo, o velha palavra de guerra “vamo destruir!” E assim foi feito... ali, começava de fato uma parceria que ainda vai render muitos frutos, intuo.
O Falcatrua entrou tarde, pouco mais de meia noite, pois o evento atrasou. O show foi intenso e ao final os caras viram uma platéia gritando o nome da banda. Bonito de ver como eles são respeitados em seu lugar... a imagem que veio à cabeça, sem dúvida, foi a do público do Acre depois dos shows.

Nos anunciaram e para uma platéia já reduzida por conta da hora, mas muito atenta e qualificada nos apresentamos com Lego, Suspeito, Tudo ao Contrário, Espelho de Narciso e Não Há, ops, Não Há, não! O coordenador de palco disse que só poderíamos fazer mais uma... então... que fosse o nosso número coletivo!!!


Depois do show, foi massa ver a alegria no rosto das pessoas que ficaram para assistir aos shows e conversar com elas, bem como cutir o clima entre os músicos e a equipe toda. De volta ao hotel, uns foram dormir e enquanto uns dormem outros caem na balada. Eu, João, Igor(roadie Falcatrua), Alexandre, Diogo (xará assistente do Alexandre) e Lu, claaaaro, fomos a uma boate e essa é uma longa história que terminou com todos, menos o Lu, que foi embora antes, voltando a pé da boate, num dos amanhceres mais produtivos da vida, se levarmos em consideração o trajeto, as idéias, a paisagem e sim, a luz, a luz, a luz.
Exploradores
Nas andanças pela cidade procurando o pessoal topamos a Carina, que esperava o Terence sair da oficina para irem embora junto com os Falcatrua para BH. Encontramos também o Danilo baixista, com quem conversamos numa psicodélica pracinha até voltarmo ao bar onde estava com a esposa do Terence. Logo chegaram... advinha quem??? O Lú, vocês tinham alguma dúvida? Com Carioca, André, que também havima ministrado oficinas, com os outros da trupe já se armando para partir rumo a Belo Horizonte. Ainda deu tempo de rolar uma sessão de piadas inspiradas do Carioca e do Magrão. É, os caras têm mais em comum que os vôos virtuais.

Pegamos uma carona com eles até a rodoviária e nos despedimos, com direito a uma despedida especial do Lu para o João, que tinha ficado no hotel.
Na “quência” arriscamos ir para Tiradentes, cidade ao lado... na hora do por-do-sol. O Mp3 do João com a versão da Elis para Maria, Maria do Miltom Nascimento só se compara ao pássaro branco que acompanhou o busão voando em paralelo durante boa parte da vaigem.
De volta a São João, taxi até o Chafariz, check-out, rodoviária, busão... aquela sensação de missão cumprida. E a felicidade de saber que só com o Falcatrua isso vai se repetir mais duas vezes. Enquanto as luzes de sódio dos postes da cidade ficavam cada vez mais distantes, eu tentava esquecer do DVD do César Mennoti e Fabiano que o motorista tinha colocado pra rodar e me entregar aquela plenitude que, imagino, preenche o íntimo das pessoas que se sentem felizes em fazer o que fazem. Sim, se é pra sentir aquilo que seja sempre.
13/09/2007
diogo soares




